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sexta-feira, 28 de junho de 2013

81º - "E se vivêssemos todos juntos?"

Há poucos anos Woody Allen, ao lançar um filme, deu algumas declarações divertidas sobre envelhecer, para ele a velhice é um mau negócio: "você não fica mais esperto, não fica mais sábio, não fica mais doce ou mais amável. Nada acontece de fato. Suas costas doem mais, você tem mais indigestão, sua visão não é boa, você precisa de ajuda para escutar. Envelhecer não traz, de fato, quaisquer vantagens. Não ficamos mais inteligentes nem mais generosos. Aceitem o meu conselho: evitem envelhecer".
Falar sobre velhice é sempre arriscado, é um assunto cheio de tabus. A verdade é que, se pudéssemos escolher, evitaríamos mesmo envelhecer: a saúde fica debilitada, a beleza se vai (porque já estão fora do padrão de beleza) e os velhos são marginalizados na nossa sociedade que, primando pelo trabalho (pela mão de obra, pelo dinheiro) desvaloriza àqueles que já não alimentam mais o sistema (mas se alimentam dele). Se antigamente (e isso ainda resiste, essencialmente em cidades pequenas) ao velho cabia o papel de interlocutor da tradição e da sabedoria de vida, nem isso lhe cabe mais. Ao mesmo tempo ser velho ficou ultrapassado, e as pessoas evitam ao máximo, prolongando a vida adulta com fórmulas milagrosas. Não dá para culpá-los, ninguém quer ser velho, porque todo mundo quer ser alguém e o velho é ninguém (estou aqui parafraseando Ecléa Bosi).
Mas ficar velho é realmente inevitável - para quem quer, e pode, continuar vivo - e por ser inevitável a velhice o assunto é evitável, porque dificilmente as pessoas querem olhar para um espelho, ainda que futuro, principalmente no cinema, num momento de lazer.
Por esses assuntos delicados e por outras questões (que eu já falei um pouco aqui) o cinema - que é o reflexo da nossa sociedade - também não quer falar de velhice e é raro ter um protagonista velho. Por todos os motivos listados acima, assistir a "E se vivêssemos todos juntos?" é um deleite. Além de todos os protagonistas serem velhos, de tratar os tabus da velhice, o filme mostra de uma maneira delicada, sincera e esperançosa o processo de envelhecimento, este é o enfoque do filme.
O filme mostra com uma sinceridade bonita e brutal temas e imagens que dificilmente vemos no cinema, os velhos ali lidam com uma dignidade incomum os problemas trazidos pelo envelhecimento. As imagens também são cristalinas, a câmera e os closes não evitam esconder as rugas e a aparência real, sem – ou com pouca – maquiagem (maquiagem aqui em vários sentidos).
Neste processo a proposta do filme é realmente tentadora: e se vivêssemos juntos? E se deixássemos de ser um problema e fôssemos a solução?
A história é sobre 5 amigos, quatro deles formam dois casais e o quinto, ...., foi amante das duas mulheres do grupo, há quarenta anos. Mas bem poderia ser na atualidade, porque "E se vivêssemos" fala, sem pudor e muitas vezes, sobre o sexo, sobre o desejo, sobre masturbação.
Claude (Claude Rich), o único solteiro do grupo, tem um ataque cardíaco quando está chegando ao quarto da garota de programa que visita - e fotografa - com certa frequência. Seu filho propõe ao pai que feche o apartamento no qual mora sozinho e passe a viver numa casa de repouso. Os amigos vão visitá-lo, mas diante da situação (que não é das piores, mas uma casa com velhos debilitados) resolvem levar embora o amigo e, assim, morarem juntos.
Outros amigos também estão doentes, como Albert (Pierre Richard) que está com problemas graves de memória e sua esposa, Jeanne (Jane Fonda, está linda como sempre) que está com câncer. Mas as doenças são meros coadjuvantes na história, elas fazem parte da vida, são lidadas com uma clareza e honestidade belíssimas.
Junto com esses acontecimentos tem Dirk (Daniel Bruhl de “Adeus, Lênin”, “Edukators” e “Bastardos Inglórios”) que é um estudante de etnologia e pretende fazer sua tese sobre o processo de envelhecimento dos aborígenes australianos, mas depois muda seu objeto (sujeito) de pesquisa para os europeus, e vai morar com os amigos a fim de fazer sua etnografia.
A cena de morte, também outro tabu, é tratada com humor e generosidade e a cena final é uma linda síntese de um filme que é todo coerente. Por aqui já estou cooptando meus amigos, "E se vivêssemos todos juntos?" é um filme, afinal, sobre esperança. 
E se vivêssemos todos juntos? (Et si on vivait tous ensemble?, França, 2012) *****

sábado, 22 de junho de 2013

79º - "Tempos Modernos"

Charles Chaplin, um dos maiores cineastas da história do cinema, provavelmente estaria feliz se estivesse no Brasil por estes dias. Produtor, diretor e roteirista do filme “Tempos Modernos”, Chaplin encontraria aqui elementos capazes de lhe gerar um novo filme. As inúmeras manifestações que borbulharam – e ainda borbulham – em várias cidades em nosso país são dignas de críticas – positivas e negativas. As pessoas vão às ruas por motivos difusos e confusos, não elegeram um líder ou um protagonista para glorificar ou crucificar. Mas as diferentes pautas giram em torno de uma grande insatisfação com nossa condição política – e, principalmente, urbana – que gerou grande mobilização da sociedade (incentivada pela internet/tecnologia).
“Tempos Modernos” é o retrato de uma urbanidade cruel aliada a uma desigualdade social perversa. Chaplin relata com humor, ironia e certa melancolia a realidade de uma classe social que, vivendo na sociedade industrial, encara níveis de pobreza, desemprego, fome.
Para contar a história do pobre Carlitos e sua namorada, Chaplin lança mão de diversas metáforas enquanto linguagem cinematográfica.
A cena inicial do filme mostra um bando de ovelhas indo para o abate e segue sobreposta com uma multidão de pessoas saindo do metrô e indo ao trabalho. Entre eles a “ovelha negra” Carlitos inicia o filme como um operário, que enlouquece diante do trabalho repetitivo e exaustivo, por ser tratado como uma engrenagem da máquina social. A cena clássica do filme – e do cinema – é uma metáfora, onde Carlitos é engolido por uma máquina, assim como o trabalhador é engolido pelo sistema capitalista de produção.
As metáforas pontuam o filme, essencialmente quando Carlitos e a namorada sonham com uma vida classe média/média alta, seja sonhando em ter uma casa, seja na loja quando Carlitos trabalha como vigia noturno e a garota dorme “em berço de ouro”.
Entretanto, baseado em perspectivas pessoais, a metáfora que eu elejo é a do final do filme, depois de todo sofrimento imposto ao casal pelas instituições sociais (como a polícia, o Estado, o capital) há ainda em Chaplin, através do casal, uma visão otimista. Quando o casal, juntos e de mãos dadas caminham, a estrada voltada para o infinito é a metáfora da esperança, mesmo com toda tristeza infinitas possibilidades ainda se apresentam e nelas a felicidade ainda pode ser encontrada.

Tempos Modernos (Modern Times, EUA, 1936) *****

quarta-feira, 6 de março de 2013

65° - "O dorminhoco"



"Estou com dor de hostilidade e uma enxaqueca. Não vejo o meu psiquiatra há 200 anos. Ele era estritamente freudiano.... se tivesse esse tempo todo estaria curado agora."

Em "O dorminhoco" Woody Allen não só dirigiu, como interpretou o protagonista, escreveu o roteiro e compôs a trilha sonora, fala aí se ele não é incrível? E o filme é uma delícia de ver, super divertido, de um jeito que o Woody não é mais, meio pastelão, mas sempre, sempre com diálogos afinadíssimos. Aliás, os diálogos travados em "O dorminhoco" são tão bons que eu gostaria de transcrevê-los aqui, mas isso tomaria um tempo e dedicação que infelizmente não tenho no momento, são sempre em tons de humor, mas um humor ácido, sarcástico, que eu adoro!
No filme Miles Monroe é um novaiorquino, que toca clarinete e tem um restaurante natureba em 1973, ele precisa fazer uma operação simples, por conta de uma úlcera, só que ocorre um imprevisto, a equipe médica o "congela" e ele acorda 200 anos depois, em 2173. No futuro, como visto em outros filmes, a sociedade vive sob a guarda do "líder" num regime totalitário, já que as maravilhas da tecnologia serviram para controle da população - a identidade é totalmente controlada via tecnologia, digitais, fotos, mapeamento do que você pensa - e neste processo quem pensa diferente do previsto é capturado pela polícia para ter seu cérebro "simplificado eletronicamente".
Mas no futuro de Allen não há apenas coisas ruins, os hábitos alimentares, por exemplo, são nosso (meu) sonho de consumo: quando Miles Monroe acorda e pede no café da manhã germe de trigo, mel orgânico e barra de proteína a médica assusta, mas seu colega logo lhe explica,
""-Essas eram substâncias que no passado acreditava-se terem propriedades saudáveis.
- Quer dizer que não havia gordura pesada? Nem bife ou tortas ou calda de chocolate?
- Acreditava-se que isso não era saudável, precisamente o oposta da realidade."
Ahh, que delícia, nessa hora eu já estava convencida a me congelar e poder comer chocolate e torresmo à vontade... Mais tarde, quando Monroe conhece sua realidade, entra num colapso histérico e o médico lhe recomenda que fume um cigarro, pois é uma das melhores coisas para a saúde...
Além de cômico, o futuro de Allen é desses bem robotizados, com alta tecnologia, até o orgasmo é obtido numa máquina, já que todos os homens e mulheres são frígidos. Ainda há outros elementos, como uma bola que é como uma droga que passa de mão em mão, roupas flutuantes, carros como cápsula, etc.
Os médicos que "descongelaram" Monroe o fizeram por um motivo: fazer com que ele - que não tem sua identidade controlada - se junte aos rebeldes e ajude a fazer cair "o líder". Neste processo ele conhece Luna (Diane Keaton, lindíssima) que é uma pseudo intelectual, pseudo artista (como existem tantos por aí), poetisa, mas na verdade é fútil, só vive de festas, não questiona sua realidade e julga quem o faz (é graduada em poesia e técnicas sexuais e doutora em sexo oral, mas só faz sexo na máquina!!), mas seu encontro com Miles a faz perceber sua verdade e se unir ao grupo de rebeldes até o final que ela se junta à Miles, sorri e diz algo do tipo, 'eu vejo que você me ama de verdade, mas os relacionamentos não duram, existe um hormônio, já comprovado, que impede que o romance dure'. Mas para Miles não há problemas, pois não confia na ciência, nem na política, tampouco em Deus, acredita apena no sexo e na morte. Viva Woody, meu coração é seu!
O dorminhoco (Sleeper, EUA, 1973) *****

terça-feira, 5 de março de 2013

64º - "A Riviera não é aqui"



"Viu, eu tinha razão: um estranho quando chega ao norte, chora duas vezes: quando chega e quando vai embora"

Engraçado as coincidências da vida, ontem mesmo, antes de ver este filme pela 1º vez, eu encontrei um amigo querido que não via há tempos e pimba, caiu no meu colo este filme que me lembrou muito o Humberto, porque é francês e porque fala sobre hospitalidade. Sim, o filme de maior bilheteria na França - "17,4 milhões de pessoas assistiram ao filme, que só não superou Titanic em público por lá" (fonte) - é uma comédia baseada nas diferenças regionais.
"A Riviera não é aqui" conta a história de Philippe (Kad Merad) um gerente de agências dos correios que tem uma esposa deprimida (enjoada é a palavra correta) e para melhorar o astral dela resolve mudar-se para o sul, para Riviera, morar perto no mar, na Côte d’Azur. Acontece que sua transferência, que já estava praticamente certa, não sai e como Philippe força a barra (finge ser deficiente para conseguir a vaga) a empresa o pune da pior maneira possível (pior que demissão!): o manda para o norte, quase fronteira com a Bélgica.
Philippe fica arrasado, desanimado, sua mulher decide não ir com ele e tudo porque a visão que eles fazem do norte, e das pessoas do norte, é terrível: são rudes, mal-educados, falam estranho (ch’ti), além de fazer o mesmo frio que no Pólo Norte. Povoado por essas visões, Philippe parte para o norte vestido como um esquimó e quase é multado por falta de velocidade (e só é perdoado já que está andando devagar porque vai para Nord-Pas-de-Calais).
Quando Philippe chega em seu destino tudo é terrível para ele (a cidade é pequena, as pessoas são simples e inocentes), mas ele logo se rende, numa cena linda, na qual seus funcionários dos correios - apesar de terem sido hostilizados durante o dia pelo chefe - se juntam para mobiliar a casa de Philippe, pronto, ele se rende. Apesar do dialeto e das diferenças culturais, o povo de Bergues é o modelo do que pode ser considerado hospitaleiro, ali há todos os elementos centrados na dádiva, no dar-receber-retribuir, na aproximação e troca de valores, culturas e costumes (a cena na qual Antoine - o carteiro - e Philippe vão juntos entregar as cartas e ficam bêbados pois não podem recusar as bebidas oferecidas pelo povo local ilustra bem).
Mas tudo isso permeado por bastante humor, o filme é bem divertido, e na hora que Philippe começa a amar seu local de trabalho e as pessoas dali, ele tem que mentir para sua esposa, pois percebe que quanto mais fala à ela que está sofrendo no norte, mais carinho, atenção e paciência ela lhe retribui.
Há cenas lindas durante o filme, como Antoine Baileul (Dany Boon) tocando os sinos da cidade, sendo que este direito lhe foi passado na família. Assim, o filme também faz uma referência às pequenas cidades, onde determinados valores são resgatados, onde a simplicidade e a amizade são conservados.
E eu fiquei pensando mesmo foi no Brasil, a França não é um país tão pequeno, mas em relação ao Brasil... Se lá há tantas diferenças e estereótipos entre as regiões, imagine cá, entre nós?
A Riviera não é aqui (Bienvenue chez les Ch’tis, França, 2008) ***

sábado, 9 de fevereiro de 2013

40° - "Inconscientes"


“A mim ninguém deixa por algo tão prosaico como outra mulher” (Alma)
Ahh, Inconscientes é bom demais, é engraçado, tem bons diálogos, é bonito de ver e tem uma história ótima. Não lembro por que vi a primeira vez, já que este filme espanhol é tão pouco falado (pelo menos na minha roda de amigos). Eu não entendo nada de psicanálise na teoria e ao que me parece o filme é uma homenagem a eles, aos psicanalistas. Tudo bem que Leon quer matar Freud porque foi aplicar seu método nele mesmo e não deu conta da verdade e diz que está fazendo um favor à humanidade, pois o que Freud tem a apresentar é pesado demais, que a verdade não liberta, rs, enfim, tudo num tom de comédia. Quando ele chega armado para matar, Freud lhe pergunta: você é amigo de Jung? 
"Inconscientes" se passa em Barcelona, 1913, Alma (Leonor Watling) é mulher de Leon, que está desaparecido. Alma - que está grávida de 9 meses (ela tem uma frase ótima: “não duvide da minha intuição, estou grávida, tenho dois corações”!) - se une a Salvador (Luis Tosar), seu cunhado, para ajudar a procurar seu marido. Leon, Salvador e o pai de Alma são psiquiatras e Leon, mais moderno do grupo, foi no ano anterior fazer um estágio com Freud em Viena e voltou tentando aplicar suas teorias e trabalhos. Escreveu então uma tese, onde descreve 4 casos de histeria (uma mulher com mania de perseguição, uma psicótica que tenta matar o marido, uma mulher com problemas de sexo e gênero e uma última que descobriu um segredo de seu passado). Alma acredita que a pista do paradeiro de seu marido está na tese e então, junto com Salvador, vai investigar cada um dos casos. 
O filme tem várias sacadas bacanas, por exemplo, a irmã de Alma é uma mulher recalcada e frígida, mas depois ela se assume lésbica e então se torna uma mulher segura, feliz e bem resolvida no sexo. O filme fala ainda de tabu misturado ao sexo e mostra uma casa onde casais gostam de trocar de roupa e ir a um baile confraternizar (em 1913, 100 anos atrás). Alma tem várias frases bacanas durante o filme (como as que já coloquei acima) e quando ela e Salvador chegam neste baile, ela diz a ele que não se preocupe, isto é apenas mais uma faceta da alma humana. E eu acho essa mensagem bacana em "Inconscientes", que gente feliz é gente bem resolvido na vida (e no sexo).
Mas ainda há outros momentos engraçados, como a recepção de Alzeimer como palestrante no hospital dirigido pelo pai de Alma, ela traduz do alemão para o espanhol, mas Alzeimer tem dificuldades para lembrar seu discurso, o que rende uma cena divertida.
Um filme recomendado para se divertir e também para aproveitar um filme bonito e com boas falas. Tem um bom final no qual Alma, que é considerada uma mulher avançada para os padrões de sua época, no final de torna feminista e vai disseminar suas ideias em terras portenhas.
Inconscientes (Inconscientes, Espanha, Itália, Portugal, Alemanha, 2004) *****

P.S.: Estou indo hoje viajar para o Rio aproveitar o carnaval, mas prometo alimentar este blog e ir adiante com meu projeto, sem furos. Assim pretendo!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

35° - "Obrigado por fumar"


Pelo que li - superficialmente - na internet, os espectadores tiveram uma impressão bem diferente da minha em "Obrigado por Fumar"; que é fantástico e certamente um dos meus preferidos. Tenho que admitir que, antes de vê-lo pela primeira vez, eu tinha um certo preconceito com o título, pois achava que era um documentário do tipo "Super size me" falando sobre os malefícios do cigarro, mas não, o filme não tem nada disso, nem chega perto; porque apesar de muita gente falar o contrário, o filme não é sobre o tabagismo (ele poderia, e o faz no fim do filme, estar defendendo qualquer outra coisa ou tema). "Obrigado por fumar" fala sobre a importância das palavras e, principalmente  o poder das palavras, o poder de quem tem o dom da fala (sinceramente me lembrou bem a conturbada entrevista do Silas Malafaia no "de frente com Gabi" exibido ontem).
Nick Naylor (Aaron Eckhart) é lobista da indústria do tabaco nos EUA e o filme mostra como ele desenvolve seu ponto de vista, "sou pago para falar. Não sou doutor, nem advogado. Sou bacharel em ofender e em ser xingado". Isso porque defender o cigarro numa sociedade cada vez neurótica com o politicamente correto e com a 'vida saudável' não é pra qualquer um, e também pudera, lá no início do filme Nick diz, "há Átila, Gengis e eu representante dos cigarros" que mata 1.200 pessoas por dia nos EUA. Pronto, chegamos num ponto fantástico do filme, ele não faz apologia a nada, não está a fim de levantar bandeira e blábláblá. Com relação ao cigarro (que é o pano de fundo da questão) Nick está certo e errado, assim como Ortolan Finistirre (William H. Macy, que está no também ótimo "Fargo") o senador, que aparentemente tem boas intenções em levantar a bandeira do anti-tabagismo (apesar de serem ideias ridículas), mas na verdade o faz para se promover como político.
O filme chega até a beirada do relativismo porque ele mostra que mesmo num assunto tão polêmico - e em princípio óbvio - há espaço para verdades e mentiras. Afinal, o que é verdade? O que é certo? Qual é a atitude verdadeiramente desinteressada? Nick Naylor defende então a beleza do argumento, se você argumentar corretamente nunca estará errado. Mas é o próprio Nick que fala ao filho que este tipo de trabalho não é pra qualquer um, porque é necessário certa "flexibilidade moral" que poucas pessoas têm. No processo de ganhar na fala, nem sempre atacar ao argumento do adversário é a melhor saída, mas simplesmente provar que está errado (como na cena na qual Nick e seu filho conversam num parque de diversões e ele pede para o filho defender o sorvete de chocolate enquanto ele defende o de baunilha).
O papel de Nick Naylor é ter o controle da mídia, é aparecer em situações diversas e tentar minimizar os efeitos negativos que a indústria do tabaco tem na sociedade (a cena inicial é ótima, ele consegue reverter a ideia do programa e ainda termina apertando a mão do rapaz com câncer, levado obviamente para demonstrar os malefícios do cigarro), e o cara é fantástico em seu poder de persuasão, na frieza com a qual ouve os outros argumentos (sempre, taticamente, com um sorriso no rosto) e na falta de paixão para defender seu ponto de vista (fundamental para não perder o equilíbrio numa discussão).
Há outra cena excelente, onde Nick é sequestrado e os bandidos enchem seu corpo com adesivos de nicotina e quando Nick acorda no hospital seu médico diz que os cigarros salvaram sua vida, pois nenhum não fumante aguentaria a quantidade de nicotina que tinha no sangue!
Eu poderia aqui citar todas as cenas do filme, porque são excelentes, com ótima edição e apresentação dos personagens, bonitas de ver e, claro com diálogos afiados. Gosto também dos “Mercadores da Morte”, outros dois lobistas e amigos de Nick (uma defende o álcool e o outro as armas), os três se reúnem uma vez por semana para comer juntos e conversar; tem uma cena ótima na qual os três discutem sobre qual tema é mais polêmico e qual dos três tem mais risco de ser sequestrado por conta do número de morte que as indústrias que representam proporcionam na sociedade.
“Obrigado” ainda tem uma sacada excelente, nenhum cigarro foi aceso ou fumado durante o filme que fala sobre a importância de cigarros em filmes como propaganda para a indústria. Foi dirigido por Jason Reitman o mesmo de "Juno" e "Amor sem escalas", outros filmes também ótimos; e é uma comédia irônica, inteligente, com piadas sagazes e muito, muito divertida.
“Michael Jordan joga bola. Charles Manson mata pessoas. Eu falo. Todos têm um talento”.
Obrigado por fumar (Thank you for smoking, EUA, 2005) *****

domingo, 27 de janeiro de 2013

27° - "Saneamento Básico, o filme"


Existe uma imagem que anda circulando no facebook sobre o prefeito de Petrópolis, que este ano cancelou o carnaval da cidade para investir o dinheiro em obras da saúde, sua atitude está tendo muito retorno e visibilidade e eu pensei um pouco na nossa descrença com o poder público. A Copa e as Olimpíadas que acontecerão no país andam reforçando muito este sentimento, porque são e serão investidos milhões em infraestrutura para esses megaeventos - em obras que provavelmente serão super faturadas e que não serão utilizadas posteriormente - em detrimento de questões básicas que um país, no nível de arrecadação que é o nosso, deveria nos prover, uma educação e acesso à saúde decentes, lazer e infraestrutura, enfim, é desconcertante... Mas o filme "Saneamento Básico" conseguiu falar deste tema de forma irônica e divertida, o filme é muito bom. Tudo bem que tem o Wagner Moura e a Fernanda Torres, e só aí o filme já tem grandes chances de segurar nossos coraçõezinhos, e eles são responsáveis por excelentes cenas, eles são e estão fantásticos!! 
"Saneamento" conta a história de uma comunidade, Cristal, localizada na Serra Gaúcha, que não possui tratamento de esgoto. A comunidade se reúne, e tenta de todas as formas sensibilizar o poder público local e do entorno sobre a necessidade da obra. A resposta é comum aos ouvidos: a obra é importante, mas não há verba para realizá-la. Entretanto a prefeitura dispõe de R$ 10.000,00  para produção de um filme, dinheiro que será devolvido se não for utilizado. Assim, os moradores resolvem produzir este filme e pegar o dinheiro para, enfim, realizar a obra.
Como o roteiro precisa ser de ficção eles resolvem contar a história de um monstro que se desenvolveu no esgoto, saída bem criativa. Só que eles não entendem nada de cinema, produção, roteiro, atuação, o que transforma o filme numa homenagem ao cinema muito divertida.

Saneamento Básico, o filme (Brasil, 2007) ****

Hoje é um dia triste na nossa história, 233 pessoas (até agora) morreram e mais de 100 ficaram feridas num incêndio que aconteceu numa casa noturna em Santa Maria, RS. De acordo com os relatos que vi e ouvi na TV, o espaço, que no sábado tinha cerca de mil pessoas, era um local fechado com uma única saída. Não tem jeito de não ficar chocado com o tamanho do acontecimento. É o segundo maior incêndio da história do nosso país, atrás do incêndio do circo Gran Circus Norte-Americano de Niterói, de onde nasceu, após o incidente, o Profeta Gentileza...
É difícil ver um estrago desse tamanho e não relacionar com a incompetência do poder público, como assim um local com essa infraestrutura tem alvará de funcionamento, e se estiver vencido como assim ele está aberto, funcionando? Para milhares de pessoas? Com certeza existe uma incredulidade com relação à punição dos responsáveis, quem vai responder por isso?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

23° - "Desconstruindo Harry"


Na hora que eu li a sinopse de "Morangos Silvestres" eu tive uma nítida sensação de dejà vu. Depois me lembrei que era um filme do Woody, mas demorei pra saber que era o "Desconstruindo Harry" (que, acredite se puder, eu jurava que não tinha visto ainda, affe). Bergman é um ídolo de Woody que é um ídolo meu, e em "Desconstruindo" há uma homenagem clara, mas na sinopse, porque "Morangos" é um drama e "Desconstruindo" uma comédia, e das bem engraçadas (não é uma comédia tipo pastelão, é uma comédia tipo Woody Allen). Mas nos dois filmes há um homem frio, egoísta, solitário e vazio que precisa viajar, pois será homenageado pela universidade que estudou. Em "Morangos" Isak vai com sua nora e no decorrer da viagem dá carona para algumas pessoas; em "Desconstruindo" Harry não quer ir só, então convida uma prostituta (que foi à sua casa no dia anterior), um colega que não via há tempos e sequestra seu filho (já que a mãe não autoriza a viagem). "Morango" está mais centrado no trajeto, na estrada, mas ambos visitam parentes nos trechos e, durante o filme, tentam relembrar coisas do passado que justifiquem a maneira com levam a vida no presente.
Harry Block (sobrenome sugestivo, não?!) é um escritor muito imaginativo, mas está sofrendo de bloqueio, não consegue escrever. Teve vários relacionamentos conturbados (amorosos e familiares), e as pessoas à sua volta (na maioria mulheres) o odeiam, pois além de ter um comportamento frio e sem sentimentos, ele escreve todos os detalhes de sua vida nos livros, expondo a vida particular das pessoas. E é muito bonito, além de divertido, a maneira como as cenas vão sendo construídas, entrelaçando memórias, imaginação e realidades. A cena do ator que simplesmente começa a ficar desfocado é genial, e a do inferno idem.
Creio que o filme é autobiográfico, inspirado na vida do próprio Woody, conturbada no plano pessoal e bem-sucedida no profissional; não é a toa que ele diz escrever a história de um cara que "não funciona muito bem na vida, só na arte”. E o final do filme é uma linda declaração de amor, Harry, em frente a todos seus personagens diz: “eu amo a todos, é sério. Vocês me deram os melhores momentos da minha vida e salvaram-me a vida por várias vezes. E agora estão me ensinando coisas e eu estou profundamente grato”. E o que o filme deixa? Que muitas vezes, para que possamos compreender, nós temos que desconstruir, porque o que pode parecer triste à primeira vista, lá no fundo pode ser engraçado e feliz. 

Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry, EUA, 1997) *****

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

17° - "Intocáveis"



"Minha maior deficiência não é viver nesta cadeira de rodas. É viver sem ela." (Philippe)

Pronto, este é "Intocáveis", fenômeno do cinema em 2012, e por aí já entendemos o motivo.  Eu fiquei encantada com o filme e vou dizer que era difícil me encantar, já que todos falaram e falam de "Intocáveis" e é comentário geral que o filme é muito bacana, lindo, sensacional e etc... Para falar a verdade euzinha já estava até com um cadim de preguiça de assistir, porque assim, depois de tanta recomendação, achei mesmo que o filme não me surpreenderia, e positivamente me enganei.
A sinopse, vamos combinar, não indica nada de muito diferente, um tetraplégico ricaço precisa de um cuidador, um desajustado chega, sem experiência, sem técnica e sem vontade de trabalhar, mas ainda assim, apesar das diferenças, eles estabelecem uma amizade. Tenho que admitir que o enredo é previsível, mas a história é empolgante (principalmente quando sabemos ser baseada numa história real), não é a toa que se tornou a segunda maior bilheteria da França. E também é um retrato de sua realidade, da França branca, hermética em sua cultura e valores e da França imigrante, marginalizada.
Mas o filme ainda tem outros trunfos, seus personagens principais são maravilhosos, tanto Omar Sy (Driss) quanto François Cluzet (Philippe). E eles constroem uma relação baseada na completude, o que há em um falta noutro e vice-versa; enquanto um é a cabeça, é erudito, inteligente, sábio, vivido; o outro são braços e pernas, juventude, imaturidade, mas também sorrisos e ingenuidade.
Enquanto eu via o filme algo não saia da minha cabeça, a importância do bom-humor para a vida. Acho que Philippe gosta de Driss porque ele negligencia seu estado de saúde, mas na verdade ele negligencia tudo, ele não leva a vida a sério. Ele faz rir. E acho que levar a vida com bom-humor é um dom, muito raro. Neste quesito acho que a escolha do ator foi fantástica, Omar Sy (Driss) é um cara que quando ri sua cara ri junto, sabe este tipo? É contagiante. Tenho pensado cada vez mais que grande parte da vida não deve ser levada a sério, na risada é mais fácil, tanto que minha filosofia de vida para 2013 é tentar, cada vez mais, não ter medo do ridículo, já que “a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo”, Veríssimo. É bem difícil ver “Intocáveis” sem tirar o sorriso do rosto, eu chorei de rir na cena dos bigodes, mas também me emocionei muito nas cenas dramáticas.
E sabe, na minha opinião “Intocáveis” é um filme sutil, tem tudo pra ser piegas, mas não é. Seu foco não está na doença (durante o filme me lembrei de “Mar Adentro”, este sim um filme denso sobre a tetraplegia), não está na desigualdade social, nem na violência, nem na pobreza ou riqueza. Ele passa por todos esses temas com sutileza. Ele tem tudo para virar um drama, mas opta pela comédia. Um filme que sonda tantos assuntos duros, mas consegue ser leve, como Driss e Philippe querem levar a vida, apesar de tudo.
Intocáveis (Intouchables, França, 2012) ****

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

16° - "Zelig"



Bem, como ontem eu falei sobre a minha paixão por Woody Allen - ele é meu diretor favorito - nada mais justo que comentar hoje um filme dele. Eu gosto muito do Woody, mas não me lembro como minha predileção por ele começou. Embora eu seja fanzoca dele, tem filmes que amo, outros gosto muito e outros simplesmente gosto. Todos dizem que ele inaugurou uma nova fase a partir de Match Point, e eu acho incrível nele essa capacidade de mudança, mas eu gosto de seus filmes antigos e gosto de seus filmes que são considerados sua pior fase (de 2000 até 2005), eu adoro "Trapaceiros", "O Escorpião de Jade", "Dirigindo no Escuro" e "Melinda e Melinda".
Woody não é bom ator, pois sempre interpreta ele mesmo em seus filmes, e isso pode parecer repetitivo, mas incrivelmente não é. Eu gosto muito do seu tipo, um nova-iorquino neurótico, frustrado, um judeu quase ateu, é hilário! Por curiosidade fiz umas contas por aqui e percebi que, dos seus 50 filmes eu vi quase 40, o que me permite comentar um por semana neste projeto do blog. O que eu mais gosto em seus filmes é que ele consegue pegar uma característica da sociedade e colocá-la em close up. Dificilmente você será convencido a ver seus filmes pela sinopse, porque muitas vezes eles não estão preocupados com finais surpreendentes e tramas muito bem amarradas, mas sim com diálogos interessantes, inteligentes, e são nestas sutilezas que ele sempre me ganha.
O filme que gostaria de falar hoje está, certamente, no topo dos meus preferidos. Em "Zelig" Woody coloca em evidência a construção de identidades culturais, apresentando a história do camaleão humano. O filme - de 1983, ano do meu nascimento - é apresentado como se fosse um documentário da vida de Leonard Zelig (Woody Allen), um homem que tem a capacidade de se transformar - psicologicamente e fisicamente - de acordo com quem estiver interagindo. Sendo assim, Zelig pode ser irlandês, negro, gordo, médico, indío, soldado (é ótimo, um judeu que vira soldado nazista, ao lado de Hitler), piloto de avião, para citar algumas das personalidades que assume durante o filme. 
Passado em preto e branco, Zelig se torna um caso clínico, depois um freak show, mas sempre uma personalidade nos EUA. Todos querem conhecer o camaleão humano, que pode ser qualquer um, mas quando está só não é ninguém... Woody entrelaça takes reais, com personalidades reais, inserindo a figura de Zelig.
E assim, me lembro que quando vi o filme a primeira vez eu me apaixonei de cara, porque eu me considero um pouco Zelig, e na verdade quem não seria? Nossa identidade é construída de maneira interativa, somos de acordo com quem convivemos. É difícil engolir a história de que somos verdadeiros e únicos, porque na verdade somos múltiplos, somos filho, pai ou mãe, tios, amigos, amantes, profissionais e em cada um desses locais nos adequamos, nos adaptamos como um camaleão...
Mas é óbvio que há um limite e para Zelig a explicação para sua situação não é patológica, mas psicológica (apesar da junta de médicos discordar totalmente). Quem o cura é a Dra. Eudora Fletcher (Mia Farrow) uma psicanalista. Zelig tem esse distúrbio porque quer agradar a todos, porque quer ser aceito... E atire a primeira pedra quem nunca na vida fingiu ter lido Moby Dick para fazer parte de um grupo... Então Zelig fala de inseguranças e aí, poxa, ele vai fundo. Engraçado que senti uma diferença grande da primeira vez que vi o filme e agora, quando o revi para poder escrever aqui. A primeira vez que vi me identifiquei totalmente, eu era o Zelig em sua versão light feminina. Mas agora, um pouco mais velha, ainda enxergo as semelhanças, mas vejo com mais facilidade o quanto é inútil e frustrante tentar agradar a todos, como este caminho é curto para a infelicidade. Creio que o fato de ser professora ajuda muito neste processo, porque não há exposição maior para a necessidade de aceitação do que ser docente, não é verdade?! Não dá para agradar a todos. Mas ainda acho que de médico, louco e Zelig todo mundo tem um pouco, afinal de contas vivemos em sociedade e interagir é preciso. 
Zelig (Zelig, EUA, 1983) *****

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

10° - "Mamma Mia!"

Quando eu vi Mamma Mia! a primeira vez, confesso, não gostei. É que musicais não fazem muito meu estilo e naquele dia não era o meu dia pro filme. Acho que filmes são sempre uma experiência individual, dependendo do dia, da sua história e disposição eles vão te tocar de alguma maneira.
Mamma Mia! não é o primeiro filme que eu não me apaixono à primeira vista, já aconteceu várias e várias vezes. Meu caso clássico é Pulp Fiction, que eu simplesmente detestei a primeira vez que vi e hoje é um dos meus preferidos.
Mas vamos para Mamma, como eu não tinha curtido muito na primeira vez (apesar de conhecer toda a história e seu peso) eu não me esforcei nem um pouco para rever. Mas teve uma época em que passou direto na TV (TV a cabo tem isso, né?! Eles encasquetam com alguns filmes e passam sem parar, até esgotar. Ontem de manhã Jumanji tava passando em dois canais ao mesmo tempo, humpf), eu comecei a ver despretensiosamente e não parei até o fim. O filme é gostoso de ver vai, tem a Meryl Streep (diva!), tem várias músicas gostosas de ouvir e dançar (ABBA! "you can dance, you can jive, having the time of your life, uuuu, see that girl, watch the scene, dig in the dancing queen..., ") e tem a Grécia, pronto! Já é uma diversão bacana para um dia sem maiores pretensões.
A história é de Sophie (Amanda Seyfried) que está prestes a se casar e, com o objetivo de conhecer quem é seu verdadeiro pai, convida os três possíveis pretendentes para o casamento sem o conhecimento de sua mãe Donna (Meryl). Daí já viu a confusão né?!


Gosto bem do fato de Donna não ser julgada pela filha nem por ninguém pelo fato de ter sido namoradeira no passado, ponto positivo. Os 3 possíveis pais de Sophie são: Harry (Colin Firth), Bill (Stellan Skarsgard) e Sam (Pierce). Eu gosto do Pierce - lembram do episódio no qual ele levou a esposa para a praia e ficou cheio de amor e carinho e a galera caiu em cima porque a mulher dele era gorda? "Como um galã pode estar casado com essa mulher?" Ahh, eu fiquei fã! - mas nossa ele cantando é um desastre...
Mas o resto do elenco se sai muito bem, a Meryl está incrível e linda (sim!). Mamma Mia é um filme delicinha de ver, pra deixar com a alma mais leve.
Mamma Mia! - O Filme (Mamma Mia!, Reino Unido, Alemanha, EUA, 2008) ***

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

7° - "Megamente"

Não estou produzindo os posts a partir de uma lista categorizada dos meus filmes preferidos. A escolha dos filmes para este blog se dá por pura intuição, me dá vontade de escrever sobre um filme e aqui estou eu. É claro que selecionei e selecionarei os filmes que mais gosto, que eu indicaria (jamais falarei aqui sobre "Eu sou a Lenda", o pior dos piores ou então "Irreversível", o único filme - que me lembro - que parei de assistir de tão violento que foi meu ódio com relação à cena de estupro).

O filme de hoje eu o vi de uma maneira bem despretensiosa... na TV numa noite de sábado sem maiores e melhores programas. Mas foi uma grata surpresa. Eu adoro animações, vou ao cinema (geralmente sozinha) e percebo que grande parte dos filmes têm um enredo bem adulto, o que deve ser ótimo, pois os pais - sendo pais - têm que levar os filhos ao cinema de qualquer jeito, então que seja com uma história apreciada por ambos.
Eu adoro a sinopse do filme: Megamente e Metro Man são enviados à Terra a la Superman, mas desde o início Metro Man rouba a cena, a casa e os amigos de Megamente. Encurralado, fora do estereótipo de beleza (ele é um E.T. no sentido ocidental da palavra, ao contrário de Metro Man que é galã), não resta outra saída à Megamente, a não ser se tornar vilão. Do tipo Zagallo "vocês terão que me engolir", já que não puderam dar amor, então vai com ódio mesmo, mas eu vou participar e vou fazer parte da sociedade, rs.

Li num site que a pergunta que inspirou os produtores do filme, foi "o que aconteceria se Lex Luthor derrotasse o Superman?" e essa é uma ótima sacada, o que seria do amarelo se todos gostássemos do azul? O que seria da vida se tivéssemos um único e glorioso objetivo e ele fosse atendido? "Algo assim como carnaval?"; não é bem assim no filme e Megamente sente falta do seu inimigo, pois ele dava sentido à sua vida. Assim ele tenta recriar o herói, já que sua vida está muito enfadonha... Isso é ótimo no filme, é bem engraçado também, além de ter uma trilha sonora muito boa. Para assistir quando seu sobrinho (vizinho, filho do amigo, afilhado ou afins) vierem te visitar e você também esteja a fim de se divertir.
 Megamente (Megamind, EUA, 2010) ***

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

1° - "Pequena Miss Sunshine"




Qual filme começar um projeto? Qual filme começar um ano? Um filme lindo, delicado, amoroso, divertido e encantador, assim como espero que seja 2013: "Pequena Miss Sunshine". O filme é de 2006, ganhou 2 Oscars em 2007 e eu me lembro da primeira vez que o vi no cinema (apesar de não lembrar ao certo as várias outras vezes que o revi) e saí apaixonada.

Como um filme pode concentrar tantas lindezas em si?! O filme narra a aventura de uma família, engajada em levar a pequena Miss Sunshine ao outro lado do país com a finalidade de participar de um concurso de Miss. A família é toda desajustada (mãe, pai, avô, tio e filho) e o sol de tudo é a pequena Olive (Abigail Breslin, que agora está crescida), que não faz parte do estereótipo de Miss (principalmente das misses crianças, que são caricaturas de mulheres, extremamente maquiadas e montadas).


O filme é leve e super divertido e é o que eu desejo em 2013: que sejamos desajustados, que fujamos do óbvio e dos estereótipos e que, assim como no filme, possamos reconhecer que o mais importante é o amor, que é ser feliz e proporcionar felicidade aos que amamos!

 Vamos ser gauche na vida!

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, EUA, 2006)    *****