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quarta-feira, 19 de junho de 2013

78º - "Frankenweenie"

Filmes com bichos fofos têm grandes chances de conquistar o público. Junte a este quesito o fato do cachorro ser carente, com ar de pidão, o único amigo do dono e ainda morrer duas vezes no filme.
Mas seria injusto reduzir "Frankenweenie" a esta questão, o filme é bem mais que isto. A história contada é sobre a família Frankenstein: um pai, uma mãe, um filho introvertido, que gosta muito de ciências e de cinema! e um cachorro, o Sparky. Acontece que o cachorro é atropelado, morre, mas Victor, o garoto Frankenstein, consegue revivê-lo.
Bem, qualquer um que tenha um mínimo de curiosidade vai saber que “Frankenweenie” foi baseado num curta que o diretor Tim Burton filmou na década de 1980 e que, anos depois e com a possibilidade de angariar mais recursos como o diretor que é, resolveu produzi-lo em "stop motion" (que era sua ideia na época, mas ficaria fora do orçamento). 
Os extras do DVD são incríveis, tem o curta original (e dá pra perceber o capricho de toda a equipe de produção, que se esmerou em fazer detalhes idênticos ao do curta), tem making off mostrando os bastidores da produção de um filme em "stop motion", a imensidão do projeto, da quantidade de pessoas envolvidas é realmente fascinante. Eu queria muito - muito mesmo - um boneco do filme, são lindos, lindos.
O filme é em preto e branco então até a paleta de cores - do branco ao preto - os detalhes produzidos para uma única cena (tudo em miniatura). Vale a pena, a gente enxerga o filme com outros olhos.
"Frankenweenie" segue uma linha bem próxima de "A noiva cadáver" em termos de estética das personagens (parece que o Tim Burton quem desenhou ou então supervisionou os desenhos). Aliás, Tim Burton tem sua marca registrada, ele é admiravelmente coerente em suas obras, desde os "Os fantasmas se divertem", "Edward mãos de tesoura", até os fantasiosos (e ainda mais fantasiosos em suas mãos) "A fantástica fábrica de chocolates" e "Alice no país das maravilhas". Tim é a "voz dos desajustados", consegue colocar nas telas dos maiores e mais famosos cinemas o que provavelmente ficaria como "filme B" do mainstream. Inclusive, ele e sua esposa (Helena Bonham Carter) são extremamente outsiders, estão à margem de toda padronização do tapete vermelho e do luxo hollywoodiano. Mas eles estão lá, são praticamente extensões de seus personagens desajustados, maravilhosamente estranhos, corajosamente esquisitos.
Além, "Frankenweenie" é uma grande homenagem ao cinema (já era também no curta), a primeira cena é de Victor produzindo um filme com a ajuda de Sparky, mas as referências a outros filmes durante o filme acontecem em vários momentos: como já é óbvio ao "Frankentein", mas também aos "Gremlins", “Godzilla”, "Parque dos Dinossauros", "Pássaros" e até "Bambi" (que aparece ao fundo como filme em cartaz no cinema local).
Isso é apenas mais um motivo para gostar de "Frankenweenie", afinal, tem como não amar um filme sobre um cãozinho remendado?

Frankenweenie (EUA, 2012) ****

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

24° - "As Bicicletas de Belleville"


"As Bicicletas de Belleville" é pura psicodelia. Não o assista procurando por lógica, enredos lineares, diálogos, formas e desenhos convencionais; nele tudo é diferente e por isso tão interessante. Não é um filme convencional, os desenhos desta animação não são proporcionais e nem retratam pessoas bonitas, mas ao mesmo tempo é tudo lindo, é tudo poético. 
Narra a história de um garoto que perdeu os pais quando criança, é criado pela avó que tenta tirá-lo da tristeza de qualquer forma, ela tenta o piano, tenta um cachorro (Bruno), tenta um trenzinho, até que finalmente descobre que a única paixão do menino é por bicicletas. Ele cresce, sua avó continua o estimulando, treinando com ele, e no dia que ele participa do Tour de France é capturado e enviado à Belleville (há uma referência à estátua da liberdade lá) junto com outros 2 ciclistas, para servir clandestinamente como competidores numa corrida de bicicleta numa espécie de Tour de France caseiro, com mafiosos como apostadores, quase uma rinha de galos. Mas esqueça o menino, sua paixão é mesmo por pedalar, ele é apático no filme, passa despercebido. Os protagonistas aqui são a avó do menino (ela e linda!) e Bruno (o cachorro), eles vão pedalando (!) num pedalinho atrás do navio que carrega os sequestrados e passam bons bocados em Belleville para conseguir resgatar o garoto. Três senhoras (que são músicas, já foram famosas no passado), dão abrigo e comida e ainda a ajudam a resgatar o neto. São 4 senhorinhas e um cachorro contra a máfia francesa, (são as bicicletas contra os carros) e os primeiros saem vitoriosos.
Então assim, um filme que coloca 4 senhoras como heroínas merece meu apreço, não é verdade? O filme me parece uma ode aos avós, eu tenho a sorte de ter dois (um avô e uma avó casados há mais de 50 anos) e é uma delícia ser neta e receber o amor e carinho de um vô ou uma vó, sou muito grata a eles e tenho muito amor também. E a avó do filme é uma lindeza, ela vive para deixar seu neto feliz (aliás no filme fica claro que ele vive graças a ela), ela acredita piamente em seus sonhos e nele.
O filme usa como fundo o crescimento urbano desordenado e critica as grandes cidades que marginalizam os pobres (o lugar onde as senhoras trigêmeas, que já foram famosas, mora é horrível e elas comem rãs a todo momento, no almoço e sobremesa) centraliza os ricos, ainda mostra as construções irregulares, crescimento desmedido, poluição visual e sonora. O diretor associa este modo de vida à obesidade, no cachorro e até na estátua da liberdade de Belleville que é obesa e segura um sorvete, o que achei desnecessário.
É uma animação diferente, no visual, na audição, nas formas, nas personagens e por isso é minha indicação de hoje!
As Bicicletas de Belleville (Les Triplettes de Belleville, Reino Unido, Letônia, França, Bélgica, Canadá, 2002) ***

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

18° - "Up - Altas Aventuras"



Hoje estou tão cansada que um filme bem levinho e divertido caí muito bem. Eu adoro as animações da Pixar, tem como não gostar de "Wall-E", "Procurando Nemo", "Monstros S.A.", "Os Incríveis", "Ratatouille"? Ahh, lindezas... Em "Up - Altas Aventuras" temos dois protagonistas inusitados, um velho e um menino asiático, diferente para protagonistas de animação, não?! O começo do filme descreve uma história que representa o que deseja grande parte da população: encontrar um parceiro pra vida, ser feliz no casamento, envelhecer juntos e com amor, é lindo de ver, e também emocionante. 
Carl, o velhinho até então rabugento, sem lugar (em todos os sentidos da palavra) resolve amarrar vários balões e voar até a América do Sul, num lugar que ele e Ellie (sua mulher) sempre sonharam conhecer. Essa mensagem do sonho é também emocionante, eles juntaram dinheiro a vida inteira, mas não realizam, dá pra pensar um pouco nesta história de dinheiro X vida, apesar de ser tão batida. Mas acho que a gente que é adulto sempre vive esse conflito: juntar (mais) dinheiro ou viajar? ou passear? ou decorar a casa? a resposta parece óbvia, mas não é, o dinheiro é também necessário pra dar segurança na vida e na velhice... Enfim, eu tento ir pela linha do equilíbrio, mas nem sempre é fácil. No filme, quando Carl tem que se livrar dos móveis da casa para que ela flutue a mensagem é clara, que para voar a gente precisa se livrar das coisas - isso mesmo coisas - materiais.
Mas o filme tem Russell, o menininho asiático que por acaso está na casa quando ela começa a flutuar e vai viver a aventura junto com Carl, e ahh, ele é uma fofura, e eu me diverti muito com ele, todas as vezes que vi o filme - tem uma cena muito engraçada do GPS que cai na janela - e olha que Russell rendeu muitas cenas emocionantes, como o final. E ainda tem mais fofuras, tem a pássara colorida, tem o cachorro fofo e carente. Enfim, uma coleção de motivos para fazer seu dia mais leve, pra te levantar.
Up - Altas Aventuras (Up, EUA, 2009) ***

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

7° - "Megamente"

Não estou produzindo os posts a partir de uma lista categorizada dos meus filmes preferidos. A escolha dos filmes para este blog se dá por pura intuição, me dá vontade de escrever sobre um filme e aqui estou eu. É claro que selecionei e selecionarei os filmes que mais gosto, que eu indicaria (jamais falarei aqui sobre "Eu sou a Lenda", o pior dos piores ou então "Irreversível", o único filme - que me lembro - que parei de assistir de tão violento que foi meu ódio com relação à cena de estupro).

O filme de hoje eu o vi de uma maneira bem despretensiosa... na TV numa noite de sábado sem maiores e melhores programas. Mas foi uma grata surpresa. Eu adoro animações, vou ao cinema (geralmente sozinha) e percebo que grande parte dos filmes têm um enredo bem adulto, o que deve ser ótimo, pois os pais - sendo pais - têm que levar os filhos ao cinema de qualquer jeito, então que seja com uma história apreciada por ambos.
Eu adoro a sinopse do filme: Megamente e Metro Man são enviados à Terra a la Superman, mas desde o início Metro Man rouba a cena, a casa e os amigos de Megamente. Encurralado, fora do estereótipo de beleza (ele é um E.T. no sentido ocidental da palavra, ao contrário de Metro Man que é galã), não resta outra saída à Megamente, a não ser se tornar vilão. Do tipo Zagallo "vocês terão que me engolir", já que não puderam dar amor, então vai com ódio mesmo, mas eu vou participar e vou fazer parte da sociedade, rs.

Li num site que a pergunta que inspirou os produtores do filme, foi "o que aconteceria se Lex Luthor derrotasse o Superman?" e essa é uma ótima sacada, o que seria do amarelo se todos gostássemos do azul? O que seria da vida se tivéssemos um único e glorioso objetivo e ele fosse atendido? "Algo assim como carnaval?"; não é bem assim no filme e Megamente sente falta do seu inimigo, pois ele dava sentido à sua vida. Assim ele tenta recriar o herói, já que sua vida está muito enfadonha... Isso é ótimo no filme, é bem engraçado também, além de ter uma trilha sonora muito boa. Para assistir quando seu sobrinho (vizinho, filho do amigo, afilhado ou afins) vierem te visitar e você também esteja a fim de se divertir.
 Megamente (Megamind, EUA, 2010) ***