Eu acho que um filme tão bom como "Sentidos do Amor" é
tão pouco falado e visto por causa do nome. O Digo mesmo não tava a fim de ver
comédia romântica e só o convenci quando apresentei a sinopse. Porque, assim,
"Sentidos do Amor" tá mais pra Meg Ryan, né não?!
O primeiro sentido que a população perde é o
olfato. Primeiro uma crise de luto e choro seguida da perda total do olfato.
Depois um ataque de fome voraz e a perda do paladar. O mais interessante
aqui é que, depois da perda há um momento de tristeza e desespero, mas as
pessoas seguem a vida, vão ao trabalho, passeiam, assistem a espetáculos, a
vida segue...
Susan é epidemiologista e Michael é chef de um restaurante. E a
capacidade de adaptação das pessoas (porque sim, por mais doloroso o ser humano
tende a se adaptar) é mostrada de uma maneira muito interessante no
restaurante. Quando eles perdem o olfato, começam a carregar nos temperos, sal,
açúcar, ervas, para acentuar o gosto; quando perdem o paladar, valorizam então
a audição, comidas que fazem barulhos ao serem manuseadas e mastigadas; quando
perdem a audição, comidas que são bonitas de se ver. Em todos os casos, a cada
perda de sentido (é gradativa) há um período de adaptação, mas depois as
pessoas retornam com sua vida, retornam a frequentar o restaurante. Falam
através de sinais, brindam, estão juntas, porque afinal o restaurante é também
um espaço de convivência... Há também uma ótima cena de um crítico que avalia
bem o restaurante, mas em seu texto as referências são apenas aos sons e à
aparência, não ao cheiro e ao gosto.
O que tem também de bacana é ver a transformação
da sociedade e a resposta à perda de sentidos. Enquanto perderam o olfato e o
paladar a situação estava ainda controlável, mas a perda da audição gerou caos,
seja porque a crise que antecedia era a ira, mas também porque a audição (e
também a visão) sejam sentidos mais sociais, que limitam mais a comunicação e
convivência que os outros sentidos. Há outra cena fantástica de pessoas – em
algum lugar do mundo – treinando para quando perderem a visão, sendo conduzidas
por um cego.
E essa é ainda outra sacada bacana do filme, no caos as pessoas
tendem a se dividir entre os pessimistas e os otimistas, os que vão sair
saqueando tudo e promovendo a desordem e os que vão ajudar, arrumando a bagunça
e pensando em soluções. A vida é um pouco assim, né não?!
Bem, difícil ver um filme desses e sair indiferente eu fiquei
chocada quando vi, maravilhada com as cenas, com o elenco e com a história.
Sentidos do Amor (Perfect Sense, Reino Unido, 2011) *****


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