domingo, 13 de janeiro de 2013

13° - "Sentidos do Amor"




Eu acho que um filme tão bom como "Sentidos do Amor" é tão pouco falado e visto por causa do nome. O Digo mesmo não tava a fim de ver comédia romântica e só o convenci quando apresentei a sinopse. Porque, assim, "Sentidos do Amor" tá mais pra Meg Ryan, né não?! 
E o filme não tem nada a ver com comédia romântica e seus amontoados de clichês, muito ao contrário. "Sentidos" é bem parecido com “O Ensaio sobre a Cegueira” que é ótimo também, apesar de ser muito mais pesado. A história é sobre uma epidemia/fim do mundo/ira divina que acomete a população mundial, que vai perdendo seus sentidos uma a um. Ninguém sabe o que de fato aconteceu, onde foi a origem e qual será o fim. Então o filme narra a reação das pessoas aos acontecimentos e isso é o mais bacana. Tudo bem que no meio disso tudo tem um relacionamento amoroso começando entre Michael (Ewan McGregor, olha ele aqui de novo) e Susan (Eva Green) e esse relacionamento que se desenvolve no meio do caos é uma história interessante, mas longe de ser a única do filme.
O primeiro sentido que a população perde é o olfato. Primeiro uma crise de luto e choro seguida da perda total do olfato. Depois um ataque de fome voraz e a perda do paladar.  O mais interessante aqui é que, depois da perda há um momento de tristeza e desespero, mas as pessoas seguem a vida, vão ao trabalho, passeiam, assistem a espetáculos, a vida segue...
Susan é epidemiologista e Michael é chef de um restaurante. E a capacidade de adaptação das pessoas (porque sim, por mais doloroso o ser humano tende a se adaptar) é mostrada de uma maneira muito interessante no restaurante. Quando eles perdem o olfato, começam a carregar nos temperos, sal, açúcar, ervas, para acentuar o gosto; quando perdem o paladar, valorizam então a audição, comidas que fazem barulhos ao serem manuseadas e mastigadas; quando perdem a audição, comidas que são bonitas de se ver. Em todos os casos, a cada perda de sentido (é gradativa) há um período de adaptação, mas depois as pessoas retornam com sua vida, retornam a frequentar o restaurante. Falam através de sinais, brindam, estão juntas, porque afinal o restaurante é também um espaço de convivência... Há também uma ótima cena de um crítico que avalia bem o restaurante, mas em seu texto as referências são apenas aos sons e à aparência, não ao cheiro e ao gosto.
O que tem também de bacana é ver a transformação da sociedade e a resposta à perda de sentidos. Enquanto perderam o olfato e o paladar a situação estava ainda controlável, mas a perda da audição gerou caos, seja porque a crise que antecedia era a ira, mas também porque a audição (e também a visão) sejam sentidos mais sociais, que limitam mais a comunicação e convivência que os outros sentidos. Há outra cena fantástica de pessoas – em algum lugar do mundo – treinando para quando perderem a visão, sendo conduzidas por um cego.
E essa é ainda outra sacada bacana do filme, no caos as pessoas tendem a se dividir entre os pessimistas e os otimistas, os que vão sair saqueando tudo e promovendo a desordem e os que vão ajudar, arrumando a bagunça e pensando em soluções. A vida é um pouco assim, né não?!
Bem, difícil ver um filme desses e sair indiferente eu fiquei chocada quando vi, maravilhada com as cenas, com o elenco e com a história.
Sentidos do Amor (Perfect Sense, Reino Unido, 2011) *****

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